Em 1868 Caldre Fião e Apolinário Porto Alegre, criavam o Partenon Literário, com objetivo de cultuar os heróis e habitos da nossa terra, isto feito em forma de verso e prosa. Em 1898 João Cezimbra Jacques, cria o Grêmio Gaúcho, inspirado na Sociedad Criolla, de Montividéu, com objetivo de cultuar também a cultura gaúcha. Surgiram posteriormente nos anos subsequentes, a União Gaúcha de Pelotas, Centro Gaúcho de Bagé, Grêmio Gaúcho de Santa Maria, Sociedade Gaúcha Lomba Grande, e o Clube Farroupilha de Ijui, este último em 1943 em meio a II Guerra Mundial, para culminar em 1947 com a criação do DTG no Colégio Julio de Castilhos, junto ao Grêmio Estudantil pelos secundaristas Paixão Cortes e seus colegas. Ali realizou-se a primeira Ronda Crioula, acesa a primeira Chama Crioula.Uma centelha do Fogo Simbólico da Pátria retirada por Paixão, semeava assim a primeira semente para a origen dos CTGs. Em 1948 criaram Paixão e seus pares, o 35 CTG dando inicio a este Movimento Tradicionalista, que hoje conta com 1700 CTGs no RS, 12 no Exterior, e mais de mil nos outros estados, com destaque para Santa Catarina que conta com 586. Pense nisso!
Desde que o mundo é mundo, as pessoas vivem correndo atraz de sua identidade. O gaúcho bate no peito orgulhoso e diz: ah eu sou gaúcho, grito ecoante em qualquer estadio de futebol aqui no Sul. Mesmo antes de sermos brasileiros, quando indagados, afirmamos que somos gaúchos, esquecendo na maioria das vezes, a nossa origem, de onde viemos. Recordando minhas leituras, percebo que antes de qualquer coisa, temos a colonização do nosso estado, daí a origem da maioria dos mortais até aqui vivos e que podem discutir este assunto. Mas esta visão tem de ser antecipada ao extremo e perceber que muito antes da colonização, tinhamos nesta terra quase virgem, os índios, os bugres, os negros, e a mistura de todos estes. Veja então que nos definirmos com exatidão não é fácil, se quisermos ser honestos com a gente mesmo. Modernamente escolhemos um clube de futebol, aqui no Rio Grande ou és Gremista ou Colorado, depois temos uma religião, ou não, o partido político é outra maneira encontrada para nos identificarmos. Elegemos uma cor de prefência, independente da cor do nosso time, a marca do carro, a bebida preferida, o prato peferido. Tudo isso vai nos excluindo do senso comum e nos colocando embora não percebamos em grupos sociais, levados por uma bandeira ou um simbolo. Afinal qual a minha a sua identidade?
Gonzaga, em seu texto tenta mostrar-nos a formação do gaúcho através das influências sofridas desde a colonização do Brasil e do Rio Grande, pelos portugueses e também os espanhóis.
Esperava-se ter uma comunidade ideal, forjada no delírio imperialista europeu. Um universo anticapitalista através do sacrifício e a mais valia (Mais-valia é o termo usado para designar a disparidade entre o salário pago e o valordo trabalhoproduzido) dos nativos e o ventre passivo das índias, e o gado das reduções.
O padre lança o gado nas vacarias, buscando atrair para as regiões mais desertas o caçador branco e suprir futuras necessidades de seus povos.
O couro passa a ter para economia uma importância fundamental durante o século XVIII.
Os missionários que já tinham enfrentado grandes dificuldades se rendem a nova ordem econômica que se instalava no Brasil, o capitalismo.
Esse capitalismo ainda era arcaico, subsidiário, mesmo assim capitalismo, com sede de lucro, extração de mais valia, e apropriação de riquezas.
A coroa oferece terras incomensuráveis latifúndio distribuído entre pessoas para eles digna de crédito, tais como militares e homens de posse.
A grande propriedade asseguraria ao estado português à valiosa courama, o efetivo domínio territorial, a repressão do regime anárquico de preia do gado alçado.
Em busca deste couro cavaleiros errantes vagavam pelos campos solitários ou em bandos.
Indivíduos denominados de gaudérios ou gaúchos pouco se sabia, senão que sua origem residia tanto na dispersão das Missões, quanto dos estrupos das índias, pratica corriqueira de bandeirantes e soldados.Eram indiáticos, mestiços raros os brancos.
Herdaram dos guaranis a habilidade para as lides pastoris (campeiras) a capacidade para montar, mas na dispersão dos povos originários do lugar perderam sua identidade tornando-se marginais.
Não se submetiam as regras do capitalismo, era indispensável desaloja-lo de seus domínios, para evitar a rapinagem.
Os estancieiros tratavam de incorpora-los ao processo produtivo, ainda que semibárbaros constituíam uma mão de obra especializada, e eram fiéis aos patrões, um procedimento característico das sociedades pastoris.
Integrados as fazendas preenchiam o seu “vácuo” moral com a moralidade dos poderosos: crença na honra, no direito a propriedade privada etc.
O viajante Frances Nicolau Dreys assim se refere ao gaucho:
Sem chefes, sem leis, sem policia, os gaúchos não tem da
moral senão ideias vulgares, e sobretudo, uma sorte de
probidade condicional que os leva a respeitar a propriedade
de quem lhes faz benefícios ou de quem os emprega ou
neles deposita confiança.
Esses vaqueiros por assim dizer seriam os primeiros boias frias da região sulina.
Em segundo lugar, usou-se estes gaúchos como bucha de canhão nas fronteiras militares, as várias guerras vividas pela província exigiam um expressivo número de soldados pobres e corajosos a arriscarem a vida pela mística do heroísmo e pelo saque sempre compensatório.
Sem descartar o emprego da violência à burguesia rural rio grandense, diferente da Argentina, usou formas menos ásperas para o recrutamento, utilizando-se de certa astúcia ideológica convocando os homens do campo via reprodução de lugares comuns machistas e ufanistas.
Essa relativa suavização, prendeu-se a dois fatores:
Já se havia conquistado a boa terra propícia ao pastoreio
O número de vagos era quase insignificante, por causa da colonização tardia, logo a ameaça destes elementos antisociais tornava-se bem menos que na vizinhança platina.
Penso que até aqui, baseado em Gonzaga, pude descrever um pouco do que foi o então homem nativo deste Estado Sulino, chamado hoje de Gaúcho com honras e glórias, teve no passado uma conotação pejorativa e denegrida.
Com o passar dos anos este homem então marginalizado e submetido às barbáries da sua época, foi se domesticando e integrado a sociedade agora capitalista, como empregado em estância e assalariado.
Supõe-se então que em meados do século XIX a figura marginalizada do gaúcho pudesse já estar extinta do convívio dos cidadãos. Perfeitamente integrado, vê-se renascer um instrumento de sustentação e imposição ideológica, dos mesmos grupos que até então o haviam destruído como figura humana.
A imagem positiva do gaúcho, nos remete a 1835 quando da Revolução Farroupilha os lideres já ofereciam ao então valorizado e reconhecido mais do que um simples soldo e a perspectiva de saque, senão acenavam aos escravos muito utilizados com a “liberdade”.
Nos primórdios do século XX a imagem do gaúcho foi agitada para o centro do país, como sendo de um homem-coletivo, digno e generoso, mas irremovível na defesa de sua “honra” e dos seus direitos.
Insistia-se na força guerreira e na expressividade popular do tipo sulino, legitimando os interesses dos pecuaristas no contexto da República Velha.
Começava no Brasil, o processo de descentralização política e administrativa, que aparentemente contrariava a tendência da América Latina.
Forjavam-se naquele momento as identidades nacionais, os padrões de mudança tinham semelhança com o processo de descentralização brasileiro, onde a burguesia emergente obtinha controle sobre certos poderes que eram do Estado, através de alianças com elites rurais em regiões mais atrasadas.
Claro que a burguesia queria poder a nível nacional, mas onde havia sérios obstáculos físicos, buscava-se o fortalecimento da elite tradicional a nível regional.
Podemos assim explicar o fortalecimento do regionalismo no Brasil naquele período a partir do “desenvolvimento embrionário e desigual de relações de produção capitalista e da constante importância da agricultura da exportação”
Era um momento de discussão da nacionalidade e da região em nosso país.
Naquele momento nossa cultura era desvalorizada, em contrapartida a cultura europeia muito valorizada. (mais recentemente a norte americana)
Assim mesmo existiam reações da cultura brasileira, com a exaltação dos símbolos nacionais.
O primeiro processo é representado por uma série de intelectuais como Silvio Romero, Euclides da Cunha, Nina Rodrigues, Oliveira Vianna e Arthur Ramos, que preocupados em explicar a sociedade brasileira através da interação da raça, e do meio geográfico, são extremamente pessimistas e preconceituosos em relação ao brasileiro que é classificado, entre outras coisas, como apático e indolente nossa vida intelectual sendo vista como coisa destituída de filosofia e ciência e eivada de um lirismo subjetivista e mórbido.
O processo inverso daquilo que acaba de ser mencionado é representado pela valorização daquilo que seria mais autenticamente brasileiro. Essa tendência já aparece no século passado nos escritos dos representantes da escola indianista da nossa literatura e atinge seu apogeu nos romances de José de Alencar, nos quais se valorizam as nossas raízes nacionais: o índio, a vida rural etc. A tendência a exaltar as virtudes do caráter brasileiro tem sequência no século e também uma constante em nossa vida intelectual.
O movimento modernista de 1922, com toda sua complexidade e diferenciação ideológica, representa um divisor de águas nesse processo. Por um lado, significa a reutilização do Brasil em relação aos movimentos culturais e artísticos que ocorrem no exterior, por outro lado, implica também em buscar nossas raízes nacionais, valorizando o que haveria de mais autêntico no Brasil.
A partir da segunda parte do modernismo, (1924 em diante) o ataque ao passadismo é substituído pela ênfase na elaboração de uma cultura nacional.
Apesar de um certo bairrismo paulista, os modernistas recusavam o regionalismo
acreditando que através do nacionalismo se chegaria ao Universal.
Em 1926 Gilberto Freyre lança em Recife o Manifesto Regionalista, pouco depois da fundação do Partido Comunista do Brasil, da revolta tenentista e do Centenário da Independência.
Cincoenta anos depois, Freyre chamaria este movimento de “regionalista, tradicionalista e a seu modo modernista”.
Trata-se de um movimento que não exalta a inovação que atualizaria a cultura brasileira em relação ao exterior, mas que deseja ao contrário, preservar não só a tradição em geral, mas a de uma região economicamente atrasada.
O Manifesto Regionalista desenvolve basicamente dois temas interligados: a defesa dos valores regionaise tradicionais do Brasil em geral e do Nordeste em particular.
Freyre afirma que pelo tamanho do Brasil, a única maneira de ser nacional, é ser primeiro regional.
Percebe-se claramente em todos os movimentos sejam regionais ou nacionais o forte propósito de brecar a ascensão das influências estrangeiras no Brasil.
Visto pelo viés político, principalmente no Nordeste, a existência da expressão “quem se aproxima do povo desce as raízes e as fontes de vida, da cultura e das artes regionais”
Me faz pensar que neste momento em que os intelectuais discutem uma nova ordem social, onde está o povo?
Existem também por parte dos intelectuais fortes discussões ideológicas sobre o caráter do brasileiro, sobre a miscigenação e uma suposta democracia racial.
Assim tenta-se construir uma identidade ao povo brasileiro, que por si só não pode ser única, vide a diversidade de povos que aqui se instalaram e praticamente determinaram o que nós seriamos.
Existem vários países dentro do Brasil, unidos por uma mesma bandeira, mas de costumes, crenças, devoções diversas, sobre a qual não se pode exibir a mesma identidade.
E para finalizar, acredito que enquanto existir um exemplar da espécie humana sobre a terra, a sua identidade verdadeira será buscada, tamanha multiplicidade existente.
O texto a meu ver nos apresenta duas vertentes de pensamento que devemos considerar: A primeira que me chama muito a atenção é a questão dos funerais, que a Angela classifica como rituais. Rituais estes plenos de significados religiosos e também episódios políticos, onde o morto passa a ter a alma imortalizada apesar do corpo ali inerte. Destacam-se os feitos em vida, selecionando e resignificados pela memória, poderosa força que permite sair da vida e entrar na história. Traça uma linha de tempo, destacando vários personagens, consagrados por rituais cívicos, narrativa histórica muito em função do novo regime republicano que se instalava, sendo assim campo de disputas acirradas, evidenciando reavaliações de personagens e eventos. Salienta que rituais são encenações sofisticadas, plenas de significados simbólicos, em que a linguagem é mobilizada e hierarquizada de valores. O funeral de Brizola foi teve como exemplos do passado, Machado de Assis, Euclides da Cunha, Osvaldo Cruz, Rui Barbosa, num período em que era construída uma cultura política republicana. Para concluir este primeiro viés, os antropólogos ensinam aos historiadores que mortos ilustres são identificados como figuras entre sagradas e insignes. Partindo para o segundo viés, estamos diante de uma ideologia que foi plantada no pós 1930, tanto política como uma tradição, destaca Angela, que pertenceram a um universo de fenômenos que passaram a integrar o País a partir de 1945 com a República após a queda do Estado Novo. É parte de um artigo que escrevi para a cadeira do pós, República no RS (deu vontade de publicar)
Não gosto do termo "trocar uma idéia". Quando juntan-se pessoas em torno de uma mesa, alguém tem a feliz ou infeliz expressão, quando diz, sente-se vamos trocar uma idéia sobre determinado assunto. Para mim, sempre que somos atores do quadro aqui exposto, o fato de estarmos conversando sobre algum tema proposto, seja ele de suma importância ou até mesmo banal, estamos a compartilhar nosso pensamento. Não é necessário que eu me aproprie da sua idéia, nem a aceite tal qual ela é exposta, mas desta tome alguns fragmentos que irão se fundir com a idéia que tenho sobre o tema, e você pegue também alguns pedaços do que lhe falei, e tenhamos então um conceito, ou uma nova visão sobre o que ali comentamos, mas nada nos obriga a ficar com a idéia do outro. E se em determinado momento, se entendesse que trocar um idéia, era o correto, um dos interlocutores quisesse desfazer a troca, e o outro não aceitasse, teriamos formado aí um impasse. Portanto, compartilhar as idéias, para mim é o melhor do que se pode tirar de uma boa conversa.
Ainda em Dezembro do ano passado, escrevi um artigo para o Pós Rio Grande do Sul, que o título foi Chama Crioula. Lá eu destaquei tudo o que os tradicionalistas mais ferrenhos já colocaram sobre o feito acontecido em 1948 onde liderou o velho e conhecido Paixão Cortes, meu vizinho aqui na praia, mas agora refletindo mais sobre o assunto, me ponho a pensar sobre o simbolismo do fogo. Destaca Sandro Dennis, em seu site http://circulocubico.wordpress.com/2008/05/16/o-simbolismo-do-fogo-atravs-do-tempo-culturas-e-religioes/)
A origem da sociedade humana, como a conhecemos atualmente, ocorreu a partir do momento em que o Homem passou a dominar o fogo. Antes do domínio do fogo, o Homem vivia de maneira similar às demais espécies animais, com uma incipiente capacidade de comunicação e com uma pequena organização social – reflexos de um intelecto pouco desenvolvido. A partir do domínio do fogo o cérebro humano desenvolveu-se abruptamente, proporcionando um salto qualitativo na nossa vida.
A partir desta afirmativa, o fato de terem retirado uma centelha da pira da Pátria, e levado para o Colégio Julio de Castilhos, Paixão e os seus companheiros estavam acordando para o verdadeiro significado do tradicionalismo, na verdade querendo que os demais jovens de sua época ao invés de debocharem dos populares interioramos que se punham a usar as vestes caracteríscas do Rio Grande, deixando de lado o americanismo que se fazia sentir no Brasil inteiro, por força das regras ditadas pelos estados unidenses ao mundo, evoluíssem como a afirmativa acima.
Quando pegamos uma fotografia no álbum de familia, pensamos que estamos vendo tudo o que ali esta registrado. Na verdade, ela tem muito mais a nos contar do que realmente estamos presenciando. Pega o álbum que está lá na gaveta, muitas vezes atirado, sem muitos cuidados, e faça uma observação mais detalhada. Ela te conta uma história, a vida dos teus antepassados esta ali retratada em fragmentos passageiros, mas se juntada as demais, você acaba entendendo muito mais. Viaje na imaginação, veja quem são as pessoas que ali estão. Quais estão sempre presentes, quais em determinado momento somem, quais as que menos aparecem. Veja as mudanças que aconteceram contigo mesmo, mais cabelo, menos cabelo, mais magro ou mais gordo, enfim as transformações que a vida lhe proporciona, e muitas vezes o espelho não te diz. Além de tudo tem a evolução da própria técnica de fotografar, o preto e branco, a foto a cores, o tamanho, as fotos expontâneas, as preparadas, os casamentos, aniversários, os batizados, as que indicam as profissões. Enfim, faça uma análise das fotos que você tem em casa, e depois me diga se tenho ou não razão.