quarta-feira, 21 de abril de 2010

O NACIONAL E O REGIONAL NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE BRASILEIRA

Começava no Brasil, o processo de descentralização política e administrativa, que aparentemente contrariava a tendência da América Latina.

Forjavam-se naquele momento as identidades nacionais, os padrões de mudança tinham semelhança com o processo de descentralização brasileiro, onde a burguesia emergente obtinha controle sobre certos poderes que eram do Estado, através de alianças com elites rurais em regiões mais atrasadas.

Claro que a burguesia queria poder a nível nacional, mas onde havia sérios obstáculos físicos, buscava-se o fortalecimento da elite tradicional a nível regional.

Podemos assim explicar o fortalecimento do regionalismo no Brasil naquele período a partir do “desenvolvimento embrionário e desigual de relações de produção capitalista e da constante importância da agricultura da exportação

Era um momento de discussão da nacionalidade e da região em nosso país.

Naquele momento nossa cultura era desvalorizada, em contrapartida a cultura europeia muito valorizada. (mais recentemente a norte americana)

Assim mesmo existiam reações da cultura brasileira, com a exaltação dos símbolos nacionais.

O primeiro processo é representado por uma série de intelectuais como Silvio Romero, Euclides da Cunha, Nina Rodrigues, Oliveira Vianna e Arthur Ramos, que preocupados em explicar a sociedade brasileira através da interação da raça, e do meio geográfico, são extremamente pessimistas e preconceituosos em relação ao brasileiro que é classificado, entre outras coisas, como apático e indolente nossa vida intelectual sendo vista como coisa destituída de filosofia e ciência e eivada de um lirismo subjetivista e mórbido.

O processo inverso daquilo que acaba de ser mencionado é representado pela valorização daquilo que seria mais autenticamente brasileiro. Essa tendência já aparece no século passado nos escritos dos representantes da escola indianista da nossa literatura e atinge seu apogeu nos romances de José de Alencar, nos quais se valorizam as nossas raízes nacionais: o índio, a vida rural etc. A tendência a exaltar as virtudes do caráter brasileiro tem sequência no século e também uma constante em nossa vida intelectual.

O movimento modernista de 1922, com toda sua complexidade e diferenciação ideológica, representa um divisor de águas nesse processo. Por um lado, significa a reutilização do Brasil em relação aos movimentos culturais e artísticos que ocorrem no exterior, por outro lado, implica também em buscar nossas raízes nacionais, valorizando o que haveria de mais autêntico no Brasil.

A partir da segunda parte do modernismo, (1924 em diante) o ataque ao passadismo é substituído pela ênfase na elaboração de uma cultura nacional.

Apesar de um certo bairrismo paulista, os modernistas recusavam o regionalismo

acreditando que através do nacionalismo se chegaria ao Universal.

Em 1926 Gilberto Freyre lança em Recife o Manifesto Regionalista, pouco depois da fundação do Partido Comunista do Brasil, da revolta tenentista e do Centenário da Independência.

Cincoenta anos depois, Freyre chamaria este movimento de “regionalista, tradicionalista e a seu modo modernista”.

Trata-se de um movimento que não exalta a inovação que atualizaria a cultura brasileira em relação ao exterior, mas que deseja ao contrário, preservar não só a tradição em geral, mas a de uma região economicamente atrasada.

O Manifesto Regionalista desenvolve basicamente dois temas interligados: a defesa dos valores regionais e tradicionais do Brasil em geral e do Nordeste em particular.

Freyre afirma que pelo tamanho do Brasil, a única maneira de ser nacional, é ser primeiro regional.

Percebe-se claramente em todos os movimentos sejam regionais ou nacionais o forte propósito de brecar a ascensão das influências estrangeiras no Brasil.

Visto pelo viés político, principalmente no Nordeste, a existência da expressão “quem se aproxima do povo desce as raízes e as fontes de vida, da cultura e das artes regionais”

Me faz pensar que neste momento em que os intelectuais discutem uma nova ordem social, onde está o povo?

Existem também por parte dos intelectuais fortes discussões ideológicas sobre o caráter do brasileiro, sobre a miscigenação e uma suposta democracia racial.

Assim tenta-se construir uma identidade ao povo brasileiro, que por si só não pode ser única, vide a diversidade de povos que aqui se instalaram e praticamente determinaram o que nós seriamos.

Existem vários países dentro do Brasil, unidos por uma mesma bandeira, mas de costumes, crenças, devoções diversas, sobre a qual não se pode exibir a mesma identidade.

E para finalizar, acredito que enquanto existir um exemplar da espécie humana sobre a terra, a sua identidade verdadeira será buscada, tamanha multiplicidade existente.

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